“Estava cansado, sentado e aguardando o próximo alarme de ataque enquanto os pensamentos e lembranças dançavam em sua mente como já havia acontecido tantas vezes antes. Lembrava-se das longas cavalgadas na fazenda de seu velho pai, das tardes gastas em longas conversas com os amigos e especialmente de Carrie, dos encontros furtivos que se tornavam especiais justamente pelo perigo. Quantas vezes ele havia se perguntado porque havia deixado tudo para trás para entrar naquele inferno. Sabia que talvez, se tivesse se esforçado mais, poderia ter Carrie em seus braços e talvez tivesse até formado uma linda família como sempre sonhou, mas preferia pensar que ela tinha feito a melhor escolha ao casar-se com Shannom e ele a melhor afastando-se dos dois.
Agora lá estava ele, do outro lado do mundo, lutando em uma guerra que não era sua, além de travar sua batalha pessoal para manter sua sanidade em meio aquele mar de desespero e morte. Alívio em meio aquela loucura ele só encontrava nas drogas que consumia ocasionalmente, que tornavam-se cada vez mais escassas devido as proporções que o combate havia tomado. Mesmo sendo uma falsa sensação de alívio, o amortecimento provocado pelas drogas amenizava o sentimento de desespero que tentava vencê-lo desde que deixara para trás sua família, seus amigos, seu país e Carrie. A cada combate, vendo seus companheiros morrendo, ele se perguntava quando seria sua vez, aguardando e tirando forças de onde só homens em situações extremas encontram para continuar lutando. Fosse o que fosse, preferia morrer com um projétil inimigo na fronte do que se entregar ao desespero e à falta de esperança. Esperança era o maior bem que alguém poderia possuir em um lugar como aquele, e por isso ele a guardava muito bem protegida atrás do que restara do seu forte espírito, mesmo sabendo que o futuro é traiçoeiro demais para ser digno de confiança.”
Jack Sckotyle no livro Inside the Tempest
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